Não é fácil viver ao lado de uma pessoa constantemente. Mas também não é fácil viver longe dessa mesma pessoa. Toda convivência excessiva cansa, mas nela também se cria um laço. Algumas pessoas costumam deixar o cansaço tomar as decisões. Outras, não agem precipitadamente e espera as coisas voltarem ao normal para assim decidir.
Vinicius Warhol
As pessoas costumam ver chifre na cabeça de cavalo, eu vejo liberdade.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Espaço vazio
é espaço jamais
preenchido...
Eu tinha um sonho, nele estava à imagem que hoje se movimenta e me movimenta. Meu objetivo foi concluído. Mas há algo de errado, o sonho ao concluir se tornou estilhaços e se perdeu no ar. Um vazio enorme passou a habitar-me. Não foi porque o prazer estava no querer e não no ter, mas sim porque o que eu ao longo da vida quis, foi realizado. E por isso se criou um espaço, que mesmo representando a oportunidade de um novo sonho, não deixará de me causar um vazio intenso.
O amor prevalece
De tudo que vivi, não serei injusto em falar que não aceitaria viver tudo de novo. Os tombos puderam ter sido traumáticos, mas o amor que construí se tornou inesquecível.
terça-feira, 19 de abril de 2011
O Mandruvá se tornou Borboleta?
Em uma bela fazenda repleta de arvores e animais, havia um menino chamado Conrado. Conrado devia ter seus dezessete anos, quando viu pela primeira vez a melancolia ao seu lado.
Tudo começou com as histórias apavorantes que ouvia das pessoas. Casos tristes de solidão, incertezas, decepções e etc. Ele desconhecia esses sentimentos que as pessoas comentavam de forma tão negativas. Até que um dia ele decidiu sair interrogando todos que conhecia. Quando fazia suas perguntas que estavam entaladas na garganta, Conrado recebia respostas que provocava ainda mais duvidas na sua cabeça.
A incerteza começou a dominar seus pensamentos, foi quando ele quis buscar alguma certeza para se sentir menos perdido. Já que tinha a certeza que seus amigos jamais te abandonariam ele foi até eles e disse que iria se afastar, pois precisava de algum tempo para viver outras descobertas. Seus amigos lhe viraram as costas sem aceitar e o abandonou. Ele ficou literalmente decepcionado com a falta de compreensão de seus amigos, e para acabar com o seu resto de felicidade alguns problemas na família começou a acontecer. Conrado com sua busca individualista (como todos descreviam) começou a entrar numa intensa melancolia.Ele passou dias vegetando e tentando entender as pessoas. Em algumas tentativas, Conrado adormeceu e nas profundidades dos seus pensamentos ele encontrou uma porta, que dava de entrada para a fazenda onde morava. A fazenda era aparentemente a mesma, mas havia alguma magia ali. Conrado impressionado, com o encanto do seu próprio lar, desconfiou da sua percepção. Quando Conrado começou a se questionar, a fazenda começou a ficar de uma cor sépia até o incolor. Dessa vez sem brilho e sem magia. De repente tudo começou a pegar fogo.
A árvore que estava em cima de Conrado começou a se deteriorar até que um bicho caiu encima de seus ombros. Aquilo queimava, mas não era como o fogo que se alastrava. Era uma dor subjetiva. Quando ele olhou, se deparou com um enorme mandruvá. Com a casca já não mais verde, mas com a cor que ele fez a fazenda ficar. (Será que Conrado adiantou sua transformação ou o mandruvá só estava preto porque as coisas ali não tinham cores?)
Conrado deu um grito e na tentativa de tirá-lo dali ouviu um sussurro:
- Calma, não faça isso menino. Não foi a toa que caí em cima de você. Foi com muita dificuldade que eu subi em cima dessa arvore e me atirei em cima de seus ombros.
Conrado, na tentativa de murmurar algo, foi interrompido pelo mandruvá.
- Por que insistes em escolher o caminho errado e enxergar as coisas com mais dificuldades? O pensamento tem poder e você atrai o que transmite. Aqui na fazenda as pessoas temem a mim, falam que eu machuco, e me chamam até de tristeza. Quando eu viro borboleta, todos querem me encostar às mãos, me pegarem, me apreciarem e esquecem o que eu era antes. Não tema a tristeza, nem a decepções ou incertezas. Talvez se as pessoas conseguissem me encarar de outra forma, elas não sofreriam tanto ao conviver comigo. Para amadurecermos, precisamos passar por momentos ruis na vida. E assim é o meu processo. Se eu não me aceitar desse jeito que as pessoas dizem ser horrível, eu nunca vou me tornar uma linda borboleta. E isso serve de exemplo para você também, se não aprender que momentos ruins só são obstáculos para suas grandes conquistas, você nunca terá grandes conquistas e só viverá na mesmice. Permita-se.
Logo ao dar a sua ultima palavra, o mandruvá numa linda borboleta se transformou e voou do ombro do menino. Conrado abriu um enorme sorriso e quando sentiu seu grande poder sobre as coisas, começou a dar cores à fazenda. O fogo se apagou e tudo que estáva se perdendo se reconstruiu. Quando tudo voltou ao normal, Conrado olhou pra cima, tentando se recordar do mandruvá que lhe ajudou e viu ele lá, pronto pra virar borboleta. Foi quando Conrado pegou um pedaço de pau e o matou. Tudo se perdeu.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Sentido a Flor da Pele
E assim estavam os nossos corações. Completamente presos e libertos. Éramos um só com a melhor sensação de liberdade do mundo. Estávamos num campo lindo, num campo verde branco quente, que poderia também estar vermelho. Talvez vermelho estávamos nós, antes, no momento e até agora. Vermelhos de amor.
Aquilo era um quadro, um dos quadros da minha memória fotográfica que eu nunca estive. Um dos quadros que eu nunca imaginei que iria pisar em realidade. Na verdade não pisei, foram os cavalos. Eu estava encima de um cavalo, que galopava sobre aquele campo pintado de flores de vento, e quando batíamos nelas, elas voavam em milhares sobre nossos olhares e despertava a representação de milhares de coisas dentro de uma única figura, dentro de dois únicos seres.
Pela primeira vez não fantasio um momento contando. Pela primeira vez vivi um momento de fantasia no qual eu não queria estar contando, mas sim vivendo ainda. Aquele momento foi tão mágico, foi tão subjetivo, tão sul real, que não pôde ser fotografado. Foi momento sentido e que só quem sentiu conseguiria ver as fotos por dentro.
Me senti tão protegido correndo aqueles riscos. No quarto, no carro, no mato, no nada. Foi tudo. Tudo que eu sempre esperei sem imaginar. As surpresas nos fascinam mais. Brigávamos para beijar, corríamos de todos. Toda desculpa era momento e todo momento era mágico. Quando você me olhava pelo retrovisor, com aquele mesmo olhar que me olhou implorando para eu ficar mais uma noite, o meu medo era recusar para ficar aqui escrevendo ao invés de viver. E nesse momento é isso que estou fazendo.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Duplo ser
Estava eu, no meu mundo, na minha piscina de letras, tomando um sol de boas influencias, quando vê, lembro que tenho um compromisso no mundo lá fora. Saiu correndo secando as palavras do meu corpo e ouço minha mãe repetir pela milésima vez - Filho, não se esqueça do chip e a roupa de ferro.
Ponho a roupa e o chip e saiu andando como um robô barato. Com os deveres em ordem aleatória, pois sou tão mal acostumado a esse mundo que não aprendi a organizar os deveres que o sistema me impôs. No meio do caminho encontro um robô como eu na rua. Acessamo-nos, fazemos download de cada informação que meu sistema chega a dar pau. Fico tão impressionado que esfrego meus olhos para ver se estou no mundo real mesmo. Vejo que sim. Tiramos a roupa de lata e mostramos nossa verdadeira identidade. É como esbarrar com um desconhecido voltando da escola, e ao pegar os livros que caíram, percebemos algo que coincide com nosso gosto. O calor começou a nos agredir e nos despedimos rapidamente com o coração na bolsa.
Olhos Atentos
Já não dependo mais de influências para chegar a determinadas partes da minha mente. Sempre acreditei que iria chegar onde só influenciado conseguia, mas cheguei só. Não imaginava que esse momento viesse tão precocemente. Estou sóbrio e estou aqui, visando essa maquina genial que é a nossa mente. Entramos, saímos, seguimos, voltamos. É tudo tão avançado e ao mesmo tempo retro. Entendo a cede de algumas pessoas que já partiram. E sei que nenhuma foi completamente saciada. Julgaram de forma grosseira e preconceituosa alguns dos grandes gênios. E hoje, “mortos”, esses gênios são valorizados. Queria viver naquele tempo, quando descobertas eram novidades. Hoje, tudo que temos é cópia ou continuação. A nossa vida é praticamente baseada no passado. Nossas expressões, nossas falas, enfim, tudo. Somos como robôs, somos programados para agir conforme a imposição do sistema. Perdemos tanto tempo agindo de forma repetitiva e artificial, que poderíamos ser mais sinceros e absolutos. Poderíamos dizer às pessoas o que realmente sentimos por elas, mas estamos programados para nos limitarmos e nos esconder. Queria que o mundo fosse diferente, seria tão intenso esse pouco tempo que temos. Eu tenho esperança e sei que ela não morrerá comigo. Quem sabe um dia.
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